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    November, 2006

    Na ponta do dedo... ao canto da sala.

    alguém o empurrou para lá, talvez com a sua conivência e inércia.

     

    a vida, tal como o próprio ainda hoje diz, não é fácil. para a maioria dos mortais. tem no entanto consciência que para outros será ainda pior. leve consolo, ou descarga de culpas, forma de agradecer a confusão em que  a sua se converteu.

     

    teve engenho, garra, coragem até. ainda tem. não se iludiu, mas não parou no momento certo. não parou quando o fim era mais que previsível.a vida, sempre a vida, puxavam-no no sentido oposto.

     

    acarinhado, respeitado e apreciado até, por muitos, muito mais pela fonte da sua vida.

     

    calmo por norma na sua forma enérgica de viver; carinhoso com comportamentos estranhos a si mesmo, quando se afundavanos problemas que chamava a si e que recusava partilhar. esta recusa não era de intensão autoritária, antes uma tentativa de proteger os que o rodeavam a quem aqui e ali rogava por auxílio silencioso.

     

    o poço é mais fundo visto debaixo do que do cimo, sem que tenha atingido as entranhas deste, ainda.

     

    desespero silencioso. dúvidas alheias no ar. sozinho, agora finalmente parece ser impossível. a solidão é porém a companhia procurada.

    a rotina amigável há muito que reclama a sua presença. não tem sido o mesmo, que todos conheciam. incómodo individual. receio que percebam em comunidade. desculpas, reais, mas desculpas atrás de desculpas. desculpas e ausência que começam, já não de agora, a importunar.

     

    a viagem que em tempos atravessou lindos vales, há já muito que vinha perfurando a mais lúgubre das paisagens - o mais abominável dos covis. lindo comboio, transformado em charrió de arrasto de minério podre, usurpado nas entranhas da terra, para a luz do dia. mesmo este estranho transporte tinha só um sentido, descendente - a alta velocidade! passageiros umbilicalmente ligados, protagonismo partilhado numa mesma história. o mau da fita é irremediavelmente colocado na ponta do dedo.

     

    frenesim nostálgico! é passado agora, alívio não para todos. a nostalgia daquele assume agora a figura de navalhas rombas que talham e esventram a consciência pretendida imaculada. alguns as vêem, mas só as consequências comportamentais os importunam. o charrió já só tem um passageiro. a "vida" falou mais alto que as responsabilidades assumidas. ali não havia "vida".

     

    empreendedores, á luz do dia. sonhadores de cama bem feita. a escuridão que ajudaram a criar, é apontada como argumento alheio.

     

    a viagem tortuosa, vertiginosa terminou. a vida não parou. os monstros permanecem nas trevas, há que lhes dar o que por direito reclamam.

     

    esta viagem agora é efectivamente solitária. aquela estranha viatura, descia com tamanha velocidade, pois as leis da física, confirmavam que o peso em queda é maior quanto maior for o seu tamanho. já não há problemas de peso agora.

     

    foram mas previsivelmente haviam de voltar. ainda bem. partida indesejada.

     

    inconformismo justificado na hora da sua partida demonstrado. partida entristecedora, enraivecedora até. sangue. o sangue é das maiores forças.

     

    "ajudariam" á distância. barafustando, reclamando, discordando.

     

    o sol aproximava-se - iam à "vida". deles. o resto ficava. os restos que também eram deles.

     

    o punho cerrado bateu na mesa.

     

    adormecia, sem apreciar o sono. dormir é desperdício de vida. opinião até hoje mantida. acordava com imediata vontade de adormecer. sonharia se conseguisse, com a ilusão de estar a viver um pesadelo.

    canto frio onde as preocupações vinham  ter como aves migratórias com instintos de rapinar.

     

    teimosia invertida. negação de corrigir o que há para corrigir. vontade de levitar.

    parei...

     

    palavras maternas ouviam-se em jeito de rejeitar o sono. incentivos acusadores, gritos de desespero, raiva, fúria. a razão transbordava.

     

    heroína. vive agora sem o impulso apaixonado, razão de vida. não desiste. cansada.

     

    fúria escondida, saía no mais simples dos gestos. algo, alguém, até quem menos merecia eram alvos.

    mal causado conscientemente sempre que via o dedo em riste.

     

    "mea culpa"? também. só, não.

     

    vai. sai. vai. sai.

     

    conversas mantidas inadvertidamente espicaçaram.

     

    o melhor dos trunfos é uma Ás... ajudaste.